A relação médico-paciente
Quando uma pessoa está doente ou pensa que está, vai consultar um médico, a maioria das vezes vai com medo ou pelo menos ansiedade.
O encontro do paciente e do médico, é um encontro especial entre duas pessoas, uma sofre e a outra deve ajudá-la.
O paciente pede ajuda e o médico dá. E
estabelece-se uma relação entre os dois.
O médico cura e salva, mas também formula diagnósticos graves, recomenda prescrições e procedimentos difíceis e dolorosos. E até anuncia as más notícias.
Quando o paciente sabe que o médico vai chegar e o vai observar, traz sintomas que não tinha antes ou faz desaparecer alguns.
O consultório, o local da consulta é onde aparecem os medos e esperanças do paciente e a relação que se vai estabelecer com o médico depende tanto da personalidade de base do paciente como do médico, assim como também muitas vezes depende da especialidade deste.
O paciente traz consigo a doença, os sintomas,
os medos e pedidos de ajuda em diferentes graus.
O paciente deseja ser curado, mas também reconfortado e cuidado, com toda a consideração.
O paciente não é a sua doença, o paciente é uma pessoa, em sofrimento sim, mas tem uma história, pertence a uma família e a uma
comunidade, e deve ser respeitado como tal.
O doente fica preocupado com o diagnóstico, prognóstico, benignidade ou gravidade da infecção ou lesão, as possíveis sequelas, a sua integridade no presente e no futuro. Ele está inquieto, preocupado e com medo.
A particularidade da relação médico-paciente está ligada a esta situação de angústia.
O médico não pode ignorar a angústia do seu paciente e deve estar disposto a adoptar uma atitude de compreensão.
O homem doente desenvolve mecanismos de defesa inconscientes, que se podem manifestar em comportamentos negativos. O médico deve perceber isso, para não comprometer uma boa cooperação com o paciente.
Também é conveniente que o médico evite na medida do possível uma participação sensível nos problemas do paciente e conserve uma certa neutralidade afectiva.
A sua atitude não deve ser moralista, nem de julgamento dos valores ou comportamentos do paciente.
O médico deve ter uma atitude humana para
com o paciente, mas deve ser reservado e recusar as relações pessoais com os pacientes.
A existência de uma atitude emocional do médico pelo seu paciente pode interferir na qualidade dos cuidados. É por isso que o médico evita tratar os membros da sua família.
O tipo de doença pode determinar o estilo de relação médico paciente:
1º nível - actividade do médico – passividade do paciente
É o tipo de relação que se tem nas urgências, comas, intervenções cirúrgicas e infecções gravissimas. O paciente deve estar passivo e o médico tem de agir.
2º nível – direcção do médico – cooperação do paciente
É a forma mais comum de relação médico paciente. Após o diagnóstico o médico prescreve o tratamento e espera cooperação do paciente.
3º - participação mutua e recíproca do médico e paciente
Este tipo de relação surge nos pacientes de doenças crónicas, nas readaptações e todos os estados em que o paciente pode assumir a sua recuperação. O médico ajuda o paciente a ajudar-se a si próprio. Este tipo de relação não se adapta a crianças ou adultos imaturos.
Nenhum dos modelos é melhor que o outro, correspondem a situações diferentes.
Para o paciente, o médico é visto como aquele que cura porque possui conhecimentos científicos, mas que também ajuda e que conforta.
Para muitos pacientes a simples presença do médico já lhes traz melhoras, isso mostra a enorme acção psicologica do médico.
Balint dizia: “ o melhor medicamento e mais
usado na medicina geral é o médico ele próprio”.
Acolhendo o paciente:
É nos primeiros momentos de cada encontro que o médico acolhe o paciente, e esse acolhimento vai construir a base da relação médico-paciente durante todo o processo terapêutico.
Sempre se deve cumprimentar o paciente, olhando para ele, com um sorriso encorajador se possível. Seria óptimo o médico levantar-se quando o paciente chega ou mesmo ir buscá-lo à porta.
O contacto físico também ajuda: aperto de mão, uma festinha na cabeça se é uma criança, um toque no braço ou ombro.
A distancia a que se está do paciente é importante, nem muito perto, nem muito distante para não intimidar o paciente, enquanto se conversa com ele sobre o que o traz à consulta ou actualizar as queixas do paciente.
O médico deve manter sempre o contacto visual para que o paciente sinta um interesse
verdadeiro por ele, da parte do médico. Nunca o médico deve interromper para ver as horas, olhar a janela, atender o telemóvel, falar com a enfermeira assuntos não relacionados com o paciente.
Deve ouvir o paciente responder às suas perguntas com atenção, sem interromper e estimulando o paciente a dizer tudo o que
sente, acenando com a cabeça, fazendo “hum hum”, “ sim percebo”, “continue”, etc.
O paciente tem de se sentir seguro de que o que for dito sobre a sua doença e a sua vida, não vai ser conhecido ou comentado fora do gabinete do médico, por ninguém. A confidencialidade e discrição é uma qualidade indispensável a qualquer profissional de saúde
A privacidade é dada através da vedação visual e acústica, o processo clínico do paciente deve ser manejado só por pessoas qualificadas e autorizadas (nunca o próprio paciente ou familiar), e é claro nunca comentar o caso do paciente fora do gabinete médico.
A maior parte das vezes o paciente deve estar
sozinho no gabinete e os familiares e acompanhantes lá fora, na sala de espera.
O médico deve-se abster de fazer juízos de valor. Todas as pessoas possuem o seu sistema de valores, suas crenças e cultura que adquiriu com sua família e comunidade.
Numa relação de ajuda o médico não deve impor os seus valores, que por vezes podem
ser bastante diferentes dos do paciente. O papel do médico é especial, ele deve estar disponível para tratar e ajudar todas as pessoas que a ele acorrem, sejam do mesmo ou de outro partido, clube, criminoso, polícia, adúltera, pobre, ou rico.
É preciso aceitar incondicionalmente a pessoa do paciente, como ele é.
Toxicodependência
Toxicodependência/toxicomania caracteriza-se pelo uso excessivo e repetido de uma ou mais drogas (como analgésicos e psicotrópicos) sem efectiva necessidade ou justificação terapêutica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde a “definição estrita da toxicomania” compreende os quatro elementos seguintes:
(1) uma compulsão de consumir o produto;
(2) uma tendência de aumentar as doses;
(3) uma dependência psicológica e/ou física do(s) produto(s);
(4) o surgimento de consequências nefastas sobre a vida cotidiana da pessoa (emotivas, sociais, económicas etc.).
Muitas DROGAS têm sobre o ser humano efeitos diferentes, consoante as quantidades ou misturas absorvidas consoante a personalidade e o momento da vida de quem as consome. (Patrício, 1996).
Sejam drogas naturais ou de síntese, estas substâncias provocam no ser humano, entre outras, alterações no SNC.
Podem ter efeitos perturbadores, efeitos
estimulantes e efeitos depressores. Com algumas substâncias pode haver misturas destes efeitos, consoante a dose ingerida, o estado psicológico e o ambiente do consumidor.
O consumo de droga frequentemente provoca na pessoa, a curto, médio ou longo prazo, a diminuição de pelo menos algumas das suas capacidades físicas, psíquicas, sociais,
laborais, escolares, etc., ou seja, empobrece a pessoa. Isto acontece, quer pela acção da droga em si, quer pelas reacções que o consumo e a dependência desencadeiam no ambiente envolvente, mesmo tendo em conta que há grupos sociais e sociedades mais permissivas que outras. (Patrício,1996).
A toxicodependência, como um fenómeno social, é uma das causas do desvio de
comportamentos que traz consigo sérios problemas e com consequências negativas tanto para o indivíduo como para a sociedade.
Relativamente às causas que podem levar à toxicodependência, estudos recentes apontam
como factores fundamentais a curiosidade e o
gosto pelo risco, próprios da adolescência e
juventude.
Apontam outras, como a pressão dos amigos que veem no consumo de drogas uma forma de se afirmar e de ser adulto.
Inúmeros são os factores ou causas sociais que podem incitar o indivíduo ao consumo de
droga e à toxicodependência.
Alguns factores como o comportamento anti-social em tenra idade, a falta de qualidade e de seguimento da educação na família, ausência de diálogo entre os membros da família e a imitação do papel e comportamento dos pais, dificuldades na adaptação ao meio social e no processo de aprendizagem nos primeiros anos de
escolaridade e a (falta de) vontade da criança em aprender, engajamento no grupo dos coetâneos.
Ainda apontam características pessoais como indisciplina e a teimosia, o desprezo dos valores tradicionais, ou indiferenças ou apoio ao desvio de normas, contradição em relação aos valores tradicionais.
Verifica-se que o uso de uma droga como a marijuana ou o álcool, é a porta de entrada para outras drogas ditas piores como o crack, a heroína.
Cavalcante (1997) definiu alguns tipos de usuários como:
Usuários recreativos que são aqueles jovens que consomem de uma maneira muito episódica um produto tóxico, legal ou ilegal, e onde nenhum dos equilíbrios socio-profissional ou escolar, afectivo e familiar estão rompidos. Mesmo tendo feito o uso de drogas de forma excepcional, o jovem mantém suas actividades e funções sociais e profissionais.
Usuários ocasionais são aqueles que têm um uso de drogas mais repetitivo, mas onde
o equilíbrio socio-familiar, escolar, entre outros, não foi comprometido.
Usuários semi-ocasionais como aqueles onde um ou mais sinais/sintomas de alerta
testemunham uma fragilidade ou o início de uma ruptura.
Seja escolar, no caso de uma reprovação brusca, faltas ou fugas da escola, distúrbios de sono e das condutas alimentares, ou um crescente grau de dissociabilidade e manifestações ansiosas ou fóbicas.
Adolescentes toxicómanos são aqueles cuja relação jovem – droga forma um duo indissociável, invadindo toda a vida relacional e afectiva, o mundo do jovem passa a girar
em torno da droga.
Tudo que ele faz é para obter a droga, curtir a droga, viver com a droga.
Todas as outras relações como escolares, familiares, sociais, ficam comprometidas ou abandonadas.
“Existe um conjunto de substâncias, umas naturais outras criadas pelo próprio homem, umas antigas outras recentes, umas legais outras clandestinas, com efeitos muito diversos, mas tendo em comum algumas propriedades.
Dão dependência, ou seja, a paragem do seu
consumo, é acompanhada de sofrimento psíquico e/ou físico; dão habituação ou tolerância, ou seja, com a continuação do seu uso é necessário aumentar a dose para obter o mesmo efeito; e o seu consumo é acompanhado de um prazer automático, imediato, que diminui a capacidade de
experimentar os outros prazeres da vida, mediatizados pelos sentidos, pela
elaboração intelectual, pelas emoções, pelos afectos. (Patrício, 1996,).”
De acordo com este autor (1996), droga é quaisquer substâncias naturais ou de síntese,
(manipuladas ou criadas pelo homem), que ao serem absorvidas pelo organismo humano,
provocam alterações psíquicas, nomeadamente do estado de consciência e também alterações físicas. As alterações da actividade mental, das sensações e do comportamento, são geralmente associadas a uma vivência de prazer, ou de alívio do desprazer.
A pessoa que consome DROGAS, não fica no seu estado “normal” e continuando a consumir,
pode desenvolver um processo de dependência.
Este é um dos aspectos delicados do
problema da droga: ser adepto, não passar de consumidor ocasional, ser consumidor
regular, ser toxicodependente. (Patrício, 1996)
Do ponto de vista médico e social podemos
considerar um toxicodependente como uma pessoa doente.
Quando a dependência existe, surgem sinais e sintomas de sofrimento se a pessoa estiver algum período de tempo sem consumir drogas. Este sofrimento da dependência manifesta-se sempre a nível psicológico e muitas vezes a nível físico.
Adição psíquica
Adição psíquica refere-se à necessidade de usar certa droga para obter alívio das tensões, sensação de bem estar.
Caracteriza-se por fenómenos cognitivos, com busca recorrente pelos efeitos iniciais do uso. Adição psíquica (ou dependência psicológica) normalmente age no cérebro e produz um ou mais dos efeitos: redução da ansiedade e da tensão; euforia ou outras mudanças
agradáveis do humor; impressão de aumento da capacidade mental e física e alterações da percepção sensorial sobre a própria dependência química em acção na pessoa.
Os sintomas mais comuns são a ansiedade, a sensação de vazio, as dificuldades de concentração, os quais, contudo, podem variar em extensa gradação, na intensidade e no tipo, de pessoa para pessoa.
Dependência física
Dependência física é um estado de adaptação do corpo a uma droga, que suscita distúrbios físicos se o uso da droga é interrompido. Significa uma perda de controle sobre o uso da substância, criando um estado chamado de craving ("ânsia").
A influência do tempo de uso da droga no usuário depende de vários factores: forma de
uso, compleição física do indivíduo, bem
como a sua carga genética.
O uso de uma droga em quantidades e frequências elevadas faz o organismo criar, por homeostase, meios de defesa,
causando uma adaptação tal à droga que, na sua falta, funciona mal. É a síndrome de abstinência.
Base neurobiológica
A base neurobiológica responsável pelo desenvolvimento da dependência de drogas é o Sistema de Recompensa do Sistema Nervoso Central.
No sistema límbico (área relacionada ao comportamento emocional), acha-se uma área relacionada à sensação de prazer, chamada circuito de recompensa cerebral.
Estudos com animais demonstram que
estímulos elétricos nestas regiões provocam sensações de prazer e levam a repetidas tentativas de estimulação.
Todas as drogas de abuso, directa ou indiretamente, actuam no circuito de recompensa cerebral, podendo levar o
usuário a buscar repetidamente essa sensação de prazer.
Tipos de Drogas
As drogas prescritas são usadas com várias finalidades, como cura de doenças, para relaxar, dormir, alívio de dores ou perda de peso. O uso excessivo destas drogas tem efeitos adversos que podem constituir uma ameaça na vida social de uma pessoa ou no seu funcionamento geral (Nugent 1990).
Quando a utilização da droga não tem finalidade médica ou terapêutica chamam-se
drogas recreativas.
Estas são usadas para proporcionar prazer, euforia, excitação, etc. e isto é abuso de drogas.
Existem seis tipos de principais de drogas recreativas:
Narcóticos/opiácios – obtidas através do ópio, cuja função é aliviar a dor.
Algumas drogas deste tipo são a heroína e a morfina.
Em doses altas provocam euforia e sensação de bem-estar, aliada a um estado relaxamento e apatia.
Sedativos – estas drogas induzem sono, lenificam a actividade e o comportamento activo do Sistema Nervoso Central.
Em doses altas, o consumidor sente euforia, relaxa e sente-se despreocupado e desinibido.
Estimulantes – estas drogas tendem a aumentar a actividade do Sistema Nervoso Central, assim como a actividade comportamental. Podemos incluir aqui a cafeína e a nicotina, de tolerância suave, e a cocaína que é um forte estimulante.
Alucinogénios – estas drogas têm efeitos graves no funcionamento mental e emocional de uma pessoa, levam a uma distorçãodo comportamento sensorial e perceptivo.
São drogas como LSD, marijuana, mescalina,psilocibina. E estas conduzem a aumento de vigilância sensorial, euforia, alteração da percepção, experiências de introspecção e alucinações.
Cannabis – planta do cânhamo, de onde se obtém a marijuana e o haxixe. O seu uso provoca relaxamento, alerta sensorial, distorção da noção de tempo.
Álcool e tabaco – são drogas lícitas, consumidas socialmente e em família.
O álcool é uma droga que contém álcool étilico, como cerveja, vinho e bebidas
espirituosas destiladas. O volume de álcool varia entre 4% da cerveja e 40% das bebidas espirituosas destiladas.
O álcool relaxa, desinibe, eleva (momentaneamente) a auto-estima. A pessoa fica menos sensível às normas sociais e culturais e não tem noção de perigo.
De todas as drogas é a que mais se abusa em todas as etapas de vida.
Os alcoólicos têm fraco desempenho no trabalho, no estudo e nas actividades do dia a dia. Por vezes tornam-se violentos, envolvem-se em brigas, a taxa de acidentes provocados por álcool é elevada e o risco de suicídio é alto.
Cigarros/tabaco – contém monóxido de carbono, hidrocarbonos e nicotina.
Esta droga é responsável por vários tipos de
cancro (exemplo pulmão), pressão arterial elevada, enfartes e doenças cardíacas.
O tabaco relaxa, ajuda (psicologicamente) a controlar a ansiedade, inibe o apetite e regulariza os intestinos.
Tratamento de Abuso de Drogas
Para um tratamento bem sucedido, os dependentes de drogas necessitam de um ambiente protegido onde não tenham acesso ao fornecimento de drogas.
Como parte do tratamento são lhe providenciados substitutos de drogas que têm um efeito que ajuda a retirada das drogas de que são dependentes.
Existem técnicas mais rígidas para assistir os dependentes de drogas para parar o consumo:
Confrontação agressiva, técnicas de envergonhar, ou isolá-los da sociedade até que desistam do consumo de drogas.
Outros métodos são as técnicas de aversão em que o consumo de uma droga é acompanhado por algo doloroso.
O consumo de droga fica assim associado a um estímulo desagradável o que pode levar à extinção de um comportamento aprendido.
Isto também pode ser atingido através de aprendizagem social, onde um dependente de droga é colocado a observar outro dependente enquanto lhe é dada droga e é então administrado um choque eléctrico.
Existem associações de auto-ajuda como os AA – alcoólicos anónimos.
Também se utiliza a desintoxicação, alguma medicação e psicoterapia individual, familiar e de grupo.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Ansiedade e violencia domestica
A ansiedade. Ansiedade em crianças
Ansiedade, ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc.
Causas
Esses dois aspectos, tanto a ansiedade quanto o medo, não surgem na vida da pessoa por uma escolha.
Acredita-se que vivências interpessoais e problemas na primeira infância possam ser importantes causas desses sintomas.
Além disso, existem causas biológicas como anormalidades químicas no cérebro ou distúrbios hormonais.
Ansiedade é um estado emocional que se adquire como consequência de algum acto.
Consequências
Todas as pessoas podem sentir ansiedade, principalmente com a actual vida atribulada.
A ansiedade acaba tornando-se constante na vida de muitas pessoas.
Dependendo do grau ou da frequência, pode se tornar patológica e trazer muitos problemas posteriores, como o transtorno da ansiedade. Mas, nem sempre é patológica.
Ter ansiedade ou sofrer desse mal faz com que a pessoa perca uma boa parte da sua auto-estima, ou seja, ela deixa de fazer certas coisas
porque se julga ser incapaz de realizá-las.
Dessa forma, o termo ansiedade está de certa forma ligado à palavra medo, sendo assim a
pessoa passa a ter medo de errar quando da realização de diferentes tarefas, sem tentar.
A Ansiedade em níveis muito altos, ou quando em conjunto com a timidez ou depressão, impede que a pessoa desenvolva o seu potencial intelectual.
A aprendizagem é bloqueada e isso interfere não só na aprendizagem da educação tradicional, mas na inteligência social.
O indivíduo fica sem saber como se portar em ocasiões sociais ou no trabalho, o que pode
levar a estagnação na carreira.Manifestações
As pessoas ansiosas têm um vasto número de sintomas.
Muitos resultam de um aumento da estimulação do sistema nervoso vegetativo ou autónomo, que controla o reflexo ataque-fuga.
Outros são somatizações, ou seja, os doentes
convertem a ansiedade em problemas fisicos,
incluindo dores de cabeça, distúrbios intestinais e tensão muscular.
Cerca da metade das pessoas com ansiedade sofrem principalmente de sintomas físicos, normalmente localizados nos intestinos e no peito.
Conforme a sintomatologia, a ansiedade pode ser classificada em vários transtornos, mas
sempre quando há um grau patológico, definido como aquele que causa interferência nas atividades normais do indivíduo.
Sintomas
Fadiga
Insónia
Falta de ar ou sensação de sufocar
Picadas nas mãos e nos pés
Confusão
Instabilidade ou sensação de desmaio
Dores no peito e palpitações
Afrontamentos, arrepios, suores, frio, mãos
húmidas.
Boca seca
Contrações ou tremores incontroláveis
Tensão muscular, dores
Necessidade urgente de defecar ou urinar
Dificuldade em engolir
Sensação de ter um "nó" na garganta
Dificuldades para relaxar
Dificuldades para dormir
Leve tontura ou vertigem
Vómitos incontroláveis
Sensação de impotência
Tratamento
O tratamento é feito com psicoterapia e medicamentos, dentre os quais ansiolíticos e antidepressivos.
O tratamento é iniciado com ansiolíticos como, por exemplo, os benzodiazepínicos. Logo após a estabilização do paciente, o médico pode prescrever um antidepressivo para o controle da ansiedade.
Outra classe de medicamentos também utilizada são a dos beta-bloqueadores.
Há algumas técnicas que auxiliam na prevenção e tratamento da ansiedade:
1) Aprender a relaxar; 2) Procurar respirar profundamente algumas vezes do dia; 3) praticar desporto ou simplesmente uma caminhada; 4) Evitar café, bebidas e produtos que contenham estimulantes (coca, cafeína,
cigarro); 5) Tirar dez minutos por dia para se alongar e meditar; 6) observar os seus pensamentos e direccioná-los para que sejam agradáveis.As perturbações emocionais –
ansiedade e depressão na
criança e no adolescente
Em psicopatologia, tal como em Medicina, no geral, é determinante a distinção entre o normal e o patológico.
O medo e a ansiedade, podem constituir, reacções normais a situações adversas ou de perigo:
se o medo permite ao indivíduo afastar-se de
um risco objectivo, a ansiedade assume o mesmo papel, ainda que esta surja na ausência de um estímulo ameaçador e se coloque no campo da antecipação.
Também os bebés e crianças pequenas podem ter medos “normais” do escuro ou de sons
que desconhecem e, também, a partir dos 6 meses (mais ou menos) os rostos de pessoas
desconhecidas ou o afastamento das figuras de referência (mãe, pai, pessoas com quem convive sempre).
É normal que crianças em idade pré-escolar apresentem receio de animais, a criaturas imaginárias, como monstros e fantasmas, à rejeição, a trovoadas e ruídos, e também ao escuro.
Assim como é normal que crianças, já
em idade escolar, sintam grandes preocupações com as amizades e com a saúde física, também os adolescentes se podem centralizar em temas, como a morte, a religião, questões sociais e também sexuais.
Apesar disto, a distinção entre o normal e o patológico tem que ocorrer na prática clínica.
Os comportamentos da criança/adolescente devem ser avaliados a fim de se detectar se os sintomas invadem a sua rotina, o que se pode manifestar por comportamentos mais desajustados, como o evitamento perante
actividades adequadas ao sexo e à idade.
Há também que efectuar uma pesquisa de sintomatologia somática: palpitações,
as cefaleias, os vómitos, a hipersudorese. A duração dos sintomas deve ser determinada, bem como o enquadramento dos mesmos
no desenvolvimento psicossocial da criança e do adolescente.
Os medos/receios ditos normais das diversas faixas etárias são transitórios e pouco intensos, e não têm repercussões, nem no
desenvolvimento, nem na rotina da criança ou do adolescente.
Do ponto de vista da etiologia, parecem estar implicados no aparecimento da ansiedade, factores constitucionais (genéticos, do temperamento) e sócio-familiares, nomeadamente padrões desadequados de funcionamento familiar. São de destacar alguns dados referidos na literatura:
existe uma maior probabilidade de surgirem perturbações de ansiedade em filhos de pais que apresentem a mesma perturbação;
Crianças de temperamento inibido e tímido parecem estar em maior risco de posteriormente virem a desenvolver esta perturbação;
acontecimentos de vida adversos podem condicionar o aparecimento de psicopatologia e possuem um carácter cumulativo;
em termos de funcionamento familiar, a transmissão da patologia pode processar-se por aprendizagem e modelagem, ou por incapacidade dos cuidadores em reduzirem reacções de medo.Classificação das Perturbações de Ansiedade
As Perturbações de ansiedade podem ser classificadas em: Perturbação de Ansiedade
de Separação, Perturbação de Ansiedade Social/Fobia Social, Fobias Específicas, Perturbação de Ansiedade Generalizada e Perturbação de Pânico, com ou sem Agorafobia.Perturbação de Ansiedade
de Separação
A ansiedade perante a separação do cuidador ocorre normalmente em crianças entre os seis meses e os três anos, diminuindo a partir desta idade.
No entanto, torna-se patológica quando surge numa idade não usual, especialmente a partir dos seis anos ou quando as manifestações de ansiedade são muito intensas ou na antecipação da separação.
Perturbação de Ansiedade Social/ Fobia Social
A Fobia Social consiste na sensação de medo persistente perante a exposição a situações sociais ou de avaliação, tais como o falar em público ou comunicar com estranhos.
Quem apresenta a perturbação tende a evitar
as situações que o angustiam, ou vive-as com uma ansiedade imensa, que se pode manifestar por um aumento da frequênciaFobias específicas
cardíaca, tonturas, rubor, alterações do trânsito gastrointestinal.
Existem outras fobias, que se traduzem por um medo intenso de objectos ou situações específicas: de andar de avião, de animais, das alturas, de ver sangue.
A Perturbação de Ansiedade Generalizada
Ocorre mais frequentemente na adolescência, e manifesta-se por preocupações excessivas, incontroláveis e múltiplas.
Estas preocupações habitualmente centram-se em temas relacionados com competência, acontecimentos futuros e desconhecidos, aprovação, catástrofes, pontualidade.
São comuns sintomas como irritabilidade, fadiga, dificuldades de concentração e queixas
somáticas.
Pais muito exigentes ou, pelo contrário, demasiado flexíveis ou permissivos constituem um factor de risco para este tipo de perturbação.
Perturbação de Pânico,
A Perturbação de Pânico, por sua vez, caracteriza-se por crises inesperadas de ansiedade, acompanhadas por sintomas somáticos e outros cognitivos, tais como medo de morrer, de enlouquecer, de perder o
controlo.
O pico da prevalência ocorre entre os 15 e os
19 anos de idade.
A Agorafobia é diagnosticada se o indivíduo
evita locais dos quais sinta que não possa sair
facilmente.Fobia Escolar/Recusa escolar
A Recusa Escolar surge mais frequentemente
nos períodos de transição escolar, e traduz-
se por uma angústia intensa, receio de ficar só, comportamentos de dependência, alterações do sono, medos e queixa somáticas.
As crianças que recusam ir à escola manifestam grande desejo de ficar em casa,
mantêm o interesse pelos estudos e
têm habitualmente boa capacidade de aprendizagem e de desempenho escolar.
As PA estão frequentemente associadas a situações comórbidas – 50% dos casos, sendo o mais comum a coocorrência de outra perturbação da ansiedade e, imediatamente
a seguir, de perturbações depressivas.Intervenção Terapêutica
Os pais devem ser aconselhados a tranquilizar a criança, mantendo uma atitude firme e segura;
A criança/adolescente deve ser incentivada a enfrentar o problema e a procurar uma solução para o mesmo;
Não se deve favorecer o evitamento excessivo das situações que causam ansiedade, sem
que, no entanto, a criança/adolescente seja forçada para além da sua capacidade de adaptação.
O tratamento de PA ou PD nos pais é algo também a ter em consideração.
Para além das medidas de intervenção mencionadas, a criança/adolescente tem indicação para um seguimento
psicoterapêutico.
O tratamento farmacológico, por seu turno, pode ser um coadjuvante da abordagem
anterior.
Ainda que a literatura seja pouco consensual
relativamente ao uso de benzodiazepinas – devido ao risco de habituação e aos seus eventuais efeitos paradoxais, estas podem ser
ponderadas, de forma transitória, em situações agudas pontuais.
Os antidepressivos podem constituir uma alternativa, assim como antipsicóticos em doses baixas.
São utilizados, na prática clínica, em situações de alguma gravidade e quando existem situações de comorbilidade, a sua ponderação deve ser feita pelo especialista.
A Violência Doméstica
Conceito de Violência
A violência é qualquer manifestação do comportamento humano que visa causar ou causa directamente a outra pessoa um dano físico (maus tratos, agressão sexual) ou um dano moral/psicológico (insultos, ameaças, humilhações)
Conceito de Violência Doméstica
A violência doméstica é uma situação em que um membro de uma família maltrata ou abusa física ou psicológicamente outro membro da família.
O agressor pode ser homem ou mulher mas é muito mais comum, o agressor ser um homem
Pode envolver violação ou abuso sexual e pode estar ligada a necessidades económicas de um membro da família dependente
Porque existe a Violência Doméstico
A violência doméstica ocorre em todos os níveis da sociedade, não somente nas famílias pobres, nem é característico de uma raça ou religião. Verifica-se em qualquer cultura.
A razão da sua existência deve-se a que quando há conflitos na família e não se usa o diálogo, a comunicação, o amor e a tolerância para os resolver, mas sim o poder que se traduz em força física ou ameaça.
O modelo actual das sociedades reforça o uso da força para resolver os problemas. Por isso, o agressor confia no uso da força para manter o poder e controle sobre outras pessoas da família, pois aprende que a violência se torna eficaz para obter esse controlo.
Exemplos de violência doméstica
Entre marido e mulher
Pais para filhos
Entre irmãos
De filhos para pais
Entre familiares próximos
As mulheres e as crianças são as principais vítimas
Implica maus tratos, agressões físicas, abuso e violência sexual.
Tem antecedentes na educação, em incorrectas e desiguais relações de poder, hierarquia entre os sexos, sendo a mulher subordinada
Pressões sociais, económicas, culturais e tradicionais, fazem com que as mulheres sofram sem reinvindicar os seus direitos,
conformando-se porque não têm meios/recursos. Ainda se incute na mulher que pertence ao marido.
. As crianças que vivem num ambiente violento, ficam com problemas de saúde, de fracasso escolar, podem provavelmente tornarem-se violentas.
O que provoca a violência contra as mulheres?
Factores pessoais do agressor:
Ter presenciado e vivenciado violência conjugal quando criança,
Ter sofrido abusos quando criança,
Pai ausente,
Consumo de bebidas alcóolicas e /ou drogas,
Factores de risco da relação:
Conflito conjugal,
Controlo masculino da riqueza e da tomada de decisões na família,
Factores da comunidade:
Pobreza e desemprego,
Associação a amigos delinquentes
Isolamento das mulheres e famílias
Factores da sociedade:
Papéis rígidos para ambos os sexos
Conceito de masculinidade ligado à dominação, honra e agressão,
Aceitação da violência como forma de resolução de problemas/conflitos
Normas sócio-culturais que concedem aos homens o controle sobre as mulheres
Principais Fontes de Violência
Sujeitos com déficit na formação humana
Degradação do tecido social
Frustração e fraca resistência à frustração
Fenómenos do contágio emocional e social
Personalidade bordeline
Sujeitos com dificuldade do controlo dos impulsos
Psicopatia
Baixa auto-estima
Interpretações trdicionais/culturais erróneas
Formas Usuais de violência
Violência psicológica:
Criticismo destrutivo
Abuso verbal; insultos
Ameaças, humilhações
Desrespeito
Recusa emocional
Autoritarismo, abuso de autoridade
Abuso de confiança
Negar actos cometidos ou minimizá-los
Chantagem afectiva
Recusa económica
Abandono dos filhos
Violência física (maus tratos):
Considerar a severidade dos ferimentos e frequência das ocorrências
Violação à integridade física:
Agarrar, dar pontapés, bater, empurrar, dar socos, contundir
Provocar queimaduras
Picar, asfixiar, apertando o pescoço ou tapando a boca
Tentativa de homicídio:
Não socorrer em caso de doença
Ter armas à vista para intimidar, ou chegar mesmo a tentar matar a vítima
Violência sexual (refere-se ao uso da força, ameaça ou coerção, para obter o acto sexual):
Imobilização, com uso ou não, de ameaças, de armas ou instrumentos ameaçadores
Provoca vários traumas físicos e psicológicos, de vários graus
Abuso sexual:
É todo o acto, ou jogo sexual, entre um adulto e um menor de 16 anos, com o fim de se estimular sexualmente, obtendo e satisfazendo desejos, apartir da criança
Inclui a violação, incesto, aliciamento, sedução, exploração sexual e o comércio do sexo. A maioria resulta da decadência dos valores morais.
A família e a violência doméstica
A violência doméstica afecta todos os membros da família, particularmente as crianças.
Efeitos da violência doméstica sobre a crianças:
Fuga de casa
Medo da violência
Incapacidade de falar do que se passa
Perda de concentração e perda de rendimento na escola
Enurese nas crianças mais pequenas
Depressão e pensamentos suicidas em adolescentes
Uso de droga e álcool
Comportamento agressivo
Perda de confiança nos adultos
Efeitos da violência doméstica no sistema familiar:
Desorganização familiar
Separação /divórcio do casal
Infecção do HIV
Rotura familiar
Consequências da violência
no comportamento da vítima
Desvalorização, complexos de inferioridade
baixa auto-estima, pessimismo e sentimento de desamparo
Dificuldades em relacionar-se, desconfiança e isolamento social
Graves sentimentos de culpa e de vergonha, que bloqueiam toda a vida afectiva
Frustração, ansiedade, irritabilidade
Trauma psicológico
Desadaptação ao meio, conflitos, medos, insegurança
Insónias, pesadelos
Desordens de personalidade
Depressão crónica
Pensamentos de suicídio/ tentativa de suicidio
Abandono ou negligência dos filhos
Bloqueio emocional
Síndrome da dor crónica
Comportamentos aditivos
Transtorno de stress pós – traumático
Propensão para sofrerem outros abusos físicos, sexuais ou emocionais
Auto-agressão
Transmissão geracional da violência
Na sexualidade da vítima
Dependendo da história individual e experiência de vida, podem desenvolver:
Maior preocupação com assuntos sexuais
Insatisfação nas relações sexuais
Sexualidade desordenada, evitação em ter parceiro, em ter sexo
Não conseguir ter prazer
Só ter prazer com dor ou com a dor dos outros
Os rapazes vítimas de sodomia, tornam-se potenciais agressores
Aumentar a actividade sexual, com promiscuídade e até prostituição
Impulso de praticar sexo violento
Possibilidade de adquirir doenças de transmissão sexual (DTS), especialmente HIV/SIDA
Engravidar e criar filhos não desejados que irão ter muitos problemas, piorando o trauma da mãe
Participar em relações incestuosas, (pais e filhas, entre irmãos, tios e sobrinhas) se tiverem filhos, podem nascer com doenças genéticas
Identidade difusa
Como detectar sinais e sintomas de violência doméstica?
Pedido de ajuda directo ou latente
Insegurança e medo do mundo exterior
Queixas psicossomáticas
Dificuldade nos contactos relacionais e afectivos
Depressão, desânimo
Ansiedade
Baixa auto-estima
Sinais de dificuldade para cuidar dos filhos
Baixo rendimento laboral
Reacções das mulheres à situação de violência
Resistência
Tentar manter a paz
Fuga
Submissão às exigências de seus maridos
Motivos para continuar no relacionamento:
Medo de represálias
Perda de suporte financeiro
Preocupação com os filhos
Dependência emocional e finaceira
Esperança de que “ele vai mudar um dia”
O ciclo da violência doméstica
É difícil dizer como começa a violência doméstica e muitas vezes esta só termina com a separação do agressor e da vítima.
Geralmente regista-se um ciclo entre as várias agressões do agressor à sua vítima
1ª fase: acumular de tensões
Ocorrem incidentes em que há agressão verbal a propósito de pequenas desavenças
Mesmo agressões físicas menores
O ambiente familiar é tenso, o agressor está irritado e impaciente
Há casos, em que está sempre mal-humorado e implicativo em casa, mas fora pode ser uma pessoa diferente, cordial e simpático
2ª: Num dado momento o agressor tem uma explosão violenta, perde o controle:
Insulta, humilha
Bate, atira objectos à vítima, aperta o pescoço, atira-a para o chão.
3ª: o agressor arrepende-se do que fez, às vezes fica com medo de que outras pessoas fiquem a saber e pede perdão e promete não voltar a fazer o que fez.
Procura ser amável e acalmar as coisas com a
vítima e família.
Passado um tempo, os problemas e conflitos que não foram resolvidos voltam a aparecer e ressurge a tensão e mau ambiente em casa e tudo volta ao princípio.
Técnicas a serem usadas com a vítima
Confidencialidade
Escuta activa
Empatia
Disponibilidade
Segurança e confiança
Aceitação incondicional
Orientação da vítima
Providenciar apoio psicológico
Como é uma família sem violência?
É obrigação de todos os membros da família tratarem-se com respeito.
Algumas características de uma relação familiar sã podem ser:
Companheirismo – decisões partilhadas e responsabilidade mútua
Igualdade económica – liberdade para trabalhar, estudar, evoluir
Apoio e confiança – ouvir, compreender e valorizar as opiniões dos vários membros da família
Respeito – estar sensível para as necessidades dos outros
Segurança física – respeitar os espaços íntimos, poder exprimir objectivos e motivos em harmonia
Respeito sexual – aceitar o outro, suas crenças e seus valores
A dor, o trauma e o sofrimento não constituem formas adaptadas e funcionais, são sintomas da existência de disfunções na relação do casal ou em qualquer um dos membros da família
O ser humano é um ser relacional . Uma
relação saudável entre o homem e mulher está alicerçada na forma como se aprendeu a falar ou a calar, na forma como se aprendeu a funcionar psicológicamente e na sua educação
Conselhos a dar às vítimas
As vítimas frequentes de agressão devem ter um plano de fuga:
Deixar em lugar seguro, que o agressor desconheça, uma chave de casa, dinheiro para uma emergência, uma mala com alguma roupa, fotocópia dos seus documentos e se possível também para as crianças.
Pensar e escolher antecipadamente um local
seguro para se refugiar
Ter a morada e telefone de instituições que possam prestar auxílio: Muleide, AMMCJ, Liga dos Direitos Humanos, esquadras
Se tem carro, ter chave extra em lugar seguro.
Ao ser agredida nunca correr para a cozinha ou casa de banho, ir para divisões mais amplas, que não tenham objectos perigosos
Se possível para fora de casa.
Não ter medo nem vergonha de pedir socorro.
Se o agressor abandonou a casa, mudar a fechadura, o número telefone, mudar os percursos, evitar andar sozinha na rua
A vítima pode e deve accionar os seus direitos:
Recorrer à polícia e tribunal
Conselhos ao potencial agressor
Quando este se sentir perder controlo:
Afastar-se da outra pessoa
Dar uma caminhada, correr, dar murros numa almofadas no quarto sozinho, para descarregar a cólera e acalmar
Impôr a si próprio uma rotina de exercícios e relaxamento
Conversar com alguém de confiança
Pensar que o seu problema não é único
Pensar em algo agradável da sua vida, ou à sua volta
Multitasking pessoas conseguiram melhorar e controlar-se
Pode procurar aconselhamento profissional, fazer uma terapia
Ansiedade, ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc.
Causas
Esses dois aspectos, tanto a ansiedade quanto o medo, não surgem na vida da pessoa por uma escolha.
Acredita-se que vivências interpessoais e problemas na primeira infância possam ser importantes causas desses sintomas.
Além disso, existem causas biológicas como anormalidades químicas no cérebro ou distúrbios hormonais.
Ansiedade é um estado emocional que se adquire como consequência de algum acto.
Consequências
Todas as pessoas podem sentir ansiedade, principalmente com a actual vida atribulada.
A ansiedade acaba tornando-se constante na vida de muitas pessoas.
Dependendo do grau ou da frequência, pode se tornar patológica e trazer muitos problemas posteriores, como o transtorno da ansiedade. Mas, nem sempre é patológica.
Ter ansiedade ou sofrer desse mal faz com que a pessoa perca uma boa parte da sua auto-estima, ou seja, ela deixa de fazer certas coisas
porque se julga ser incapaz de realizá-las.
Dessa forma, o termo ansiedade está de certa forma ligado à palavra medo, sendo assim a
pessoa passa a ter medo de errar quando da realização de diferentes tarefas, sem tentar.
A Ansiedade em níveis muito altos, ou quando em conjunto com a timidez ou depressão, impede que a pessoa desenvolva o seu potencial intelectual.
A aprendizagem é bloqueada e isso interfere não só na aprendizagem da educação tradicional, mas na inteligência social.
O indivíduo fica sem saber como se portar em ocasiões sociais ou no trabalho, o que pode
levar a estagnação na carreira.Manifestações
As pessoas ansiosas têm um vasto número de sintomas.
Muitos resultam de um aumento da estimulação do sistema nervoso vegetativo ou autónomo, que controla o reflexo ataque-fuga.
Outros são somatizações, ou seja, os doentes
convertem a ansiedade em problemas fisicos,
incluindo dores de cabeça, distúrbios intestinais e tensão muscular.
Cerca da metade das pessoas com ansiedade sofrem principalmente de sintomas físicos, normalmente localizados nos intestinos e no peito.
Conforme a sintomatologia, a ansiedade pode ser classificada em vários transtornos, mas
sempre quando há um grau patológico, definido como aquele que causa interferência nas atividades normais do indivíduo.
Sintomas
Fadiga
Insónia
Falta de ar ou sensação de sufocar
Picadas nas mãos e nos pés
Confusão
Instabilidade ou sensação de desmaio
Dores no peito e palpitações
Afrontamentos, arrepios, suores, frio, mãos
húmidas.
Boca seca
Contrações ou tremores incontroláveis
Tensão muscular, dores
Necessidade urgente de defecar ou urinar
Dificuldade em engolir
Sensação de ter um "nó" na garganta
Dificuldades para relaxar
Dificuldades para dormir
Leve tontura ou vertigem
Vómitos incontroláveis
Sensação de impotência
Tratamento
O tratamento é feito com psicoterapia e medicamentos, dentre os quais ansiolíticos e antidepressivos.
O tratamento é iniciado com ansiolíticos como, por exemplo, os benzodiazepínicos. Logo após a estabilização do paciente, o médico pode prescrever um antidepressivo para o controle da ansiedade.
Outra classe de medicamentos também utilizada são a dos beta-bloqueadores.
Há algumas técnicas que auxiliam na prevenção e tratamento da ansiedade:
1) Aprender a relaxar; 2) Procurar respirar profundamente algumas vezes do dia; 3) praticar desporto ou simplesmente uma caminhada; 4) Evitar café, bebidas e produtos que contenham estimulantes (coca, cafeína,
cigarro); 5) Tirar dez minutos por dia para se alongar e meditar; 6) observar os seus pensamentos e direccioná-los para que sejam agradáveis.As perturbações emocionais –
ansiedade e depressão na
criança e no adolescente
Em psicopatologia, tal como em Medicina, no geral, é determinante a distinção entre o normal e o patológico.
O medo e a ansiedade, podem constituir, reacções normais a situações adversas ou de perigo:
se o medo permite ao indivíduo afastar-se de
um risco objectivo, a ansiedade assume o mesmo papel, ainda que esta surja na ausência de um estímulo ameaçador e se coloque no campo da antecipação.
Também os bebés e crianças pequenas podem ter medos “normais” do escuro ou de sons
que desconhecem e, também, a partir dos 6 meses (mais ou menos) os rostos de pessoas
desconhecidas ou o afastamento das figuras de referência (mãe, pai, pessoas com quem convive sempre).
É normal que crianças em idade pré-escolar apresentem receio de animais, a criaturas imaginárias, como monstros e fantasmas, à rejeição, a trovoadas e ruídos, e também ao escuro.
Assim como é normal que crianças, já
em idade escolar, sintam grandes preocupações com as amizades e com a saúde física, também os adolescentes se podem centralizar em temas, como a morte, a religião, questões sociais e também sexuais.
Apesar disto, a distinção entre o normal e o patológico tem que ocorrer na prática clínica.
Os comportamentos da criança/adolescente devem ser avaliados a fim de se detectar se os sintomas invadem a sua rotina, o que se pode manifestar por comportamentos mais desajustados, como o evitamento perante
actividades adequadas ao sexo e à idade.
Há também que efectuar uma pesquisa de sintomatologia somática: palpitações,
as cefaleias, os vómitos, a hipersudorese. A duração dos sintomas deve ser determinada, bem como o enquadramento dos mesmos
no desenvolvimento psicossocial da criança e do adolescente.
Os medos/receios ditos normais das diversas faixas etárias são transitórios e pouco intensos, e não têm repercussões, nem no
desenvolvimento, nem na rotina da criança ou do adolescente.
Do ponto de vista da etiologia, parecem estar implicados no aparecimento da ansiedade, factores constitucionais (genéticos, do temperamento) e sócio-familiares, nomeadamente padrões desadequados de funcionamento familiar. São de destacar alguns dados referidos na literatura:
existe uma maior probabilidade de surgirem perturbações de ansiedade em filhos de pais que apresentem a mesma perturbação;
Crianças de temperamento inibido e tímido parecem estar em maior risco de posteriormente virem a desenvolver esta perturbação;
acontecimentos de vida adversos podem condicionar o aparecimento de psicopatologia e possuem um carácter cumulativo;
em termos de funcionamento familiar, a transmissão da patologia pode processar-se por aprendizagem e modelagem, ou por incapacidade dos cuidadores em reduzirem reacções de medo.Classificação das Perturbações de Ansiedade
As Perturbações de ansiedade podem ser classificadas em: Perturbação de Ansiedade
de Separação, Perturbação de Ansiedade Social/Fobia Social, Fobias Específicas, Perturbação de Ansiedade Generalizada e Perturbação de Pânico, com ou sem Agorafobia.Perturbação de Ansiedade
de Separação
A ansiedade perante a separação do cuidador ocorre normalmente em crianças entre os seis meses e os três anos, diminuindo a partir desta idade.
No entanto, torna-se patológica quando surge numa idade não usual, especialmente a partir dos seis anos ou quando as manifestações de ansiedade são muito intensas ou na antecipação da separação.
Perturbação de Ansiedade Social/ Fobia Social
A Fobia Social consiste na sensação de medo persistente perante a exposição a situações sociais ou de avaliação, tais como o falar em público ou comunicar com estranhos.
Quem apresenta a perturbação tende a evitar
as situações que o angustiam, ou vive-as com uma ansiedade imensa, que se pode manifestar por um aumento da frequênciaFobias específicas
cardíaca, tonturas, rubor, alterações do trânsito gastrointestinal.
Existem outras fobias, que se traduzem por um medo intenso de objectos ou situações específicas: de andar de avião, de animais, das alturas, de ver sangue.
A Perturbação de Ansiedade Generalizada
Ocorre mais frequentemente na adolescência, e manifesta-se por preocupações excessivas, incontroláveis e múltiplas.
Estas preocupações habitualmente centram-se em temas relacionados com competência, acontecimentos futuros e desconhecidos, aprovação, catástrofes, pontualidade.
São comuns sintomas como irritabilidade, fadiga, dificuldades de concentração e queixas
somáticas.
Pais muito exigentes ou, pelo contrário, demasiado flexíveis ou permissivos constituem um factor de risco para este tipo de perturbação.
Perturbação de Pânico,
A Perturbação de Pânico, por sua vez, caracteriza-se por crises inesperadas de ansiedade, acompanhadas por sintomas somáticos e outros cognitivos, tais como medo de morrer, de enlouquecer, de perder o
controlo.
O pico da prevalência ocorre entre os 15 e os
19 anos de idade.
A Agorafobia é diagnosticada se o indivíduo
evita locais dos quais sinta que não possa sair
facilmente.Fobia Escolar/Recusa escolar
A Recusa Escolar surge mais frequentemente
nos períodos de transição escolar, e traduz-
se por uma angústia intensa, receio de ficar só, comportamentos de dependência, alterações do sono, medos e queixa somáticas.
As crianças que recusam ir à escola manifestam grande desejo de ficar em casa,
mantêm o interesse pelos estudos e
têm habitualmente boa capacidade de aprendizagem e de desempenho escolar.
As PA estão frequentemente associadas a situações comórbidas – 50% dos casos, sendo o mais comum a coocorrência de outra perturbação da ansiedade e, imediatamente
a seguir, de perturbações depressivas.Intervenção Terapêutica
Os pais devem ser aconselhados a tranquilizar a criança, mantendo uma atitude firme e segura;
A criança/adolescente deve ser incentivada a enfrentar o problema e a procurar uma solução para o mesmo;
Não se deve favorecer o evitamento excessivo das situações que causam ansiedade, sem
que, no entanto, a criança/adolescente seja forçada para além da sua capacidade de adaptação.
O tratamento de PA ou PD nos pais é algo também a ter em consideração.
Para além das medidas de intervenção mencionadas, a criança/adolescente tem indicação para um seguimento
psicoterapêutico.
O tratamento farmacológico, por seu turno, pode ser um coadjuvante da abordagem
anterior.
Ainda que a literatura seja pouco consensual
relativamente ao uso de benzodiazepinas – devido ao risco de habituação e aos seus eventuais efeitos paradoxais, estas podem ser
ponderadas, de forma transitória, em situações agudas pontuais.
Os antidepressivos podem constituir uma alternativa, assim como antipsicóticos em doses baixas.
São utilizados, na prática clínica, em situações de alguma gravidade e quando existem situações de comorbilidade, a sua ponderação deve ser feita pelo especialista.
A Violência Doméstica
Conceito de Violência
A violência é qualquer manifestação do comportamento humano que visa causar ou causa directamente a outra pessoa um dano físico (maus tratos, agressão sexual) ou um dano moral/psicológico (insultos, ameaças, humilhações)
Conceito de Violência Doméstica
A violência doméstica é uma situação em que um membro de uma família maltrata ou abusa física ou psicológicamente outro membro da família.
O agressor pode ser homem ou mulher mas é muito mais comum, o agressor ser um homem
Pode envolver violação ou abuso sexual e pode estar ligada a necessidades económicas de um membro da família dependente
Porque existe a Violência Doméstico
A violência doméstica ocorre em todos os níveis da sociedade, não somente nas famílias pobres, nem é característico de uma raça ou religião. Verifica-se em qualquer cultura.
A razão da sua existência deve-se a que quando há conflitos na família e não se usa o diálogo, a comunicação, o amor e a tolerância para os resolver, mas sim o poder que se traduz em força física ou ameaça.
O modelo actual das sociedades reforça o uso da força para resolver os problemas. Por isso, o agressor confia no uso da força para manter o poder e controle sobre outras pessoas da família, pois aprende que a violência se torna eficaz para obter esse controlo.
Exemplos de violência doméstica
Entre marido e mulher
Pais para filhos
Entre irmãos
De filhos para pais
Entre familiares próximos
As mulheres e as crianças são as principais vítimas
Implica maus tratos, agressões físicas, abuso e violência sexual.
Tem antecedentes na educação, em incorrectas e desiguais relações de poder, hierarquia entre os sexos, sendo a mulher subordinada
Pressões sociais, económicas, culturais e tradicionais, fazem com que as mulheres sofram sem reinvindicar os seus direitos,
conformando-se porque não têm meios/recursos. Ainda se incute na mulher que pertence ao marido.
. As crianças que vivem num ambiente violento, ficam com problemas de saúde, de fracasso escolar, podem provavelmente tornarem-se violentas.
O que provoca a violência contra as mulheres?
Factores pessoais do agressor:
Ter presenciado e vivenciado violência conjugal quando criança,
Ter sofrido abusos quando criança,
Pai ausente,
Consumo de bebidas alcóolicas e /ou drogas,
Factores de risco da relação:
Conflito conjugal,
Controlo masculino da riqueza e da tomada de decisões na família,
Factores da comunidade:
Pobreza e desemprego,
Associação a amigos delinquentes
Isolamento das mulheres e famílias
Factores da sociedade:
Papéis rígidos para ambos os sexos
Conceito de masculinidade ligado à dominação, honra e agressão,
Aceitação da violência como forma de resolução de problemas/conflitos
Normas sócio-culturais que concedem aos homens o controle sobre as mulheres
Principais Fontes de Violência
Sujeitos com déficit na formação humana
Degradação do tecido social
Frustração e fraca resistência à frustração
Fenómenos do contágio emocional e social
Personalidade bordeline
Sujeitos com dificuldade do controlo dos impulsos
Psicopatia
Baixa auto-estima
Interpretações trdicionais/culturais erróneas
Formas Usuais de violência
Violência psicológica:
Criticismo destrutivo
Abuso verbal; insultos
Ameaças, humilhações
Desrespeito
Recusa emocional
Autoritarismo, abuso de autoridade
Abuso de confiança
Negar actos cometidos ou minimizá-los
Chantagem afectiva
Recusa económica
Abandono dos filhos
Violência física (maus tratos):
Considerar a severidade dos ferimentos e frequência das ocorrências
Violação à integridade física:
Agarrar, dar pontapés, bater, empurrar, dar socos, contundir
Provocar queimaduras
Picar, asfixiar, apertando o pescoço ou tapando a boca
Tentativa de homicídio:
Não socorrer em caso de doença
Ter armas à vista para intimidar, ou chegar mesmo a tentar matar a vítima
Violência sexual (refere-se ao uso da força, ameaça ou coerção, para obter o acto sexual):
Imobilização, com uso ou não, de ameaças, de armas ou instrumentos ameaçadores
Provoca vários traumas físicos e psicológicos, de vários graus
Abuso sexual:
É todo o acto, ou jogo sexual, entre um adulto e um menor de 16 anos, com o fim de se estimular sexualmente, obtendo e satisfazendo desejos, apartir da criança
Inclui a violação, incesto, aliciamento, sedução, exploração sexual e o comércio do sexo. A maioria resulta da decadência dos valores morais.
A família e a violência doméstica
A violência doméstica afecta todos os membros da família, particularmente as crianças.
Efeitos da violência doméstica sobre a crianças:
Fuga de casa
Medo da violência
Incapacidade de falar do que se passa
Perda de concentração e perda de rendimento na escola
Enurese nas crianças mais pequenas
Depressão e pensamentos suicidas em adolescentes
Uso de droga e álcool
Comportamento agressivo
Perda de confiança nos adultos
Efeitos da violência doméstica no sistema familiar:
Desorganização familiar
Separação /divórcio do casal
Infecção do HIV
Rotura familiar
Consequências da violência
no comportamento da vítima
Desvalorização, complexos de inferioridade
baixa auto-estima, pessimismo e sentimento de desamparo
Dificuldades em relacionar-se, desconfiança e isolamento social
Graves sentimentos de culpa e de vergonha, que bloqueiam toda a vida afectiva
Frustração, ansiedade, irritabilidade
Trauma psicológico
Desadaptação ao meio, conflitos, medos, insegurança
Insónias, pesadelos
Desordens de personalidade
Depressão crónica
Pensamentos de suicídio/ tentativa de suicidio
Abandono ou negligência dos filhos
Bloqueio emocional
Síndrome da dor crónica
Comportamentos aditivos
Transtorno de stress pós – traumático
Propensão para sofrerem outros abusos físicos, sexuais ou emocionais
Auto-agressão
Transmissão geracional da violência
Na sexualidade da vítima
Dependendo da história individual e experiência de vida, podem desenvolver:
Maior preocupação com assuntos sexuais
Insatisfação nas relações sexuais
Sexualidade desordenada, evitação em ter parceiro, em ter sexo
Não conseguir ter prazer
Só ter prazer com dor ou com a dor dos outros
Os rapazes vítimas de sodomia, tornam-se potenciais agressores
Aumentar a actividade sexual, com promiscuídade e até prostituição
Impulso de praticar sexo violento
Possibilidade de adquirir doenças de transmissão sexual (DTS), especialmente HIV/SIDA
Engravidar e criar filhos não desejados que irão ter muitos problemas, piorando o trauma da mãe
Participar em relações incestuosas, (pais e filhas, entre irmãos, tios e sobrinhas) se tiverem filhos, podem nascer com doenças genéticas
Identidade difusa
Como detectar sinais e sintomas de violência doméstica?
Pedido de ajuda directo ou latente
Insegurança e medo do mundo exterior
Queixas psicossomáticas
Dificuldade nos contactos relacionais e afectivos
Depressão, desânimo
Ansiedade
Baixa auto-estima
Sinais de dificuldade para cuidar dos filhos
Baixo rendimento laboral
Reacções das mulheres à situação de violência
Resistência
Tentar manter a paz
Fuga
Submissão às exigências de seus maridos
Motivos para continuar no relacionamento:
Medo de represálias
Perda de suporte financeiro
Preocupação com os filhos
Dependência emocional e finaceira
Esperança de que “ele vai mudar um dia”
O ciclo da violência doméstica
É difícil dizer como começa a violência doméstica e muitas vezes esta só termina com a separação do agressor e da vítima.
Geralmente regista-se um ciclo entre as várias agressões do agressor à sua vítima
1ª fase: acumular de tensões
Ocorrem incidentes em que há agressão verbal a propósito de pequenas desavenças
Mesmo agressões físicas menores
O ambiente familiar é tenso, o agressor está irritado e impaciente
Há casos, em que está sempre mal-humorado e implicativo em casa, mas fora pode ser uma pessoa diferente, cordial e simpático
2ª: Num dado momento o agressor tem uma explosão violenta, perde o controle:
Insulta, humilha
Bate, atira objectos à vítima, aperta o pescoço, atira-a para o chão.
3ª: o agressor arrepende-se do que fez, às vezes fica com medo de que outras pessoas fiquem a saber e pede perdão e promete não voltar a fazer o que fez.
Procura ser amável e acalmar as coisas com a
vítima e família.
Passado um tempo, os problemas e conflitos que não foram resolvidos voltam a aparecer e ressurge a tensão e mau ambiente em casa e tudo volta ao princípio.
Técnicas a serem usadas com a vítima
Confidencialidade
Escuta activa
Empatia
Disponibilidade
Segurança e confiança
Aceitação incondicional
Orientação da vítima
Providenciar apoio psicológico
Como é uma família sem violência?
É obrigação de todos os membros da família tratarem-se com respeito.
Algumas características de uma relação familiar sã podem ser:
Companheirismo – decisões partilhadas e responsabilidade mútua
Igualdade económica – liberdade para trabalhar, estudar, evoluir
Apoio e confiança – ouvir, compreender e valorizar as opiniões dos vários membros da família
Respeito – estar sensível para as necessidades dos outros
Segurança física – respeitar os espaços íntimos, poder exprimir objectivos e motivos em harmonia
Respeito sexual – aceitar o outro, suas crenças e seus valores
A dor, o trauma e o sofrimento não constituem formas adaptadas e funcionais, são sintomas da existência de disfunções na relação do casal ou em qualquer um dos membros da família
O ser humano é um ser relacional . Uma
relação saudável entre o homem e mulher está alicerçada na forma como se aprendeu a falar ou a calar, na forma como se aprendeu a funcionar psicológicamente e na sua educação
Conselhos a dar às vítimas
As vítimas frequentes de agressão devem ter um plano de fuga:
Deixar em lugar seguro, que o agressor desconheça, uma chave de casa, dinheiro para uma emergência, uma mala com alguma roupa, fotocópia dos seus documentos e se possível também para as crianças.
Pensar e escolher antecipadamente um local
seguro para se refugiar
Ter a morada e telefone de instituições que possam prestar auxílio: Muleide, AMMCJ, Liga dos Direitos Humanos, esquadras
Se tem carro, ter chave extra em lugar seguro.
Ao ser agredida nunca correr para a cozinha ou casa de banho, ir para divisões mais amplas, que não tenham objectos perigosos
Se possível para fora de casa.
Não ter medo nem vergonha de pedir socorro.
Se o agressor abandonou a casa, mudar a fechadura, o número telefone, mudar os percursos, evitar andar sozinha na rua
A vítima pode e deve accionar os seus direitos:
Recorrer à polícia e tribunal
Conselhos ao potencial agressor
Quando este se sentir perder controlo:
Afastar-se da outra pessoa
Dar uma caminhada, correr, dar murros numa almofadas no quarto sozinho, para descarregar a cólera e acalmar
Impôr a si próprio uma rotina de exercícios e relaxamento
Conversar com alguém de confiança
Pensar que o seu problema não é único
Pensar em algo agradável da sua vida, ou à sua volta
Multitasking pessoas conseguiram melhorar e controlar-se
Pode procurar aconselhamento profissional, fazer uma terapia
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
COMUNICACAO INTRACELULAR
COMUNICACAO
ENVOLVE:
Formação
do sinal
Libertação
do mesmo pela célula produtora
Transporte
para o órgão alvo
Detecção
deste pelo órgão alvo e consequente acção
Remoção
do sinal.
Importância:(Controle
do metabolismo;Coordenação
de processos como o crescimento, a reprodução e o
desenvolvimento;Quantificação e qualificação das actividades
intracelulares)
Um
mesmo sinal (mensageiro) pode usar mais de uma forma de sinalização.
Testosterona:
Endócrina nos folículos pilosos;Parácrina nos túbulos seminíferos
Físicos:Luz;T;Pressão
Químicos:Hormonas;Neurotransmissores;Fatores
de crescimento;toxinas
Receptores
de superfície:(Canais
de iões; enzimático;acoplado a proteína G;Integrinas;de
portagem)
Citoplasmáticos:angiotensina
II- factor básico de c de fibroblastos 2
nucleares=h.
Esteroides.
2MENSAGEIRO:(hidrofóbicas;hidrofílicas:cAMP,
cGMP, e Ca2+;Gases:NO e CO)
Transdução
de sinais:Processo
sequencial iniciado pela ligação de um sinal extracelular a um
receptor e culminando em uma ou mais respostas celulares específicas.
Caracteristica:
(amplificacao d sinal; especificidade;
adaptacao; integracao)
Receptores:(canais
iónicos; enzimaticos;
intracelular; acoplados a proteina-G.)
Por Sebastiao Margarida Zandamela
Selso Jose Vubile
SINTESE PROTEICA 'so"
Síntese Proteica
- Importância Biomédica
Ocorre nos ribossomas; e rapido.
A energia necessária provém da hidrólise do ATP.
Consome mais de 90% da energia usada em processos biossintéticos.
Requisitos(Código genético;mRNA;tRNA;Ribossomas;aa activados;Enzimas)
Aminoacido + ATP + tRNA → Aminoacil-tRNA
- Código genético:relação entre a sequência de bases no ADN e a sequência correspondente de aminoácidos, na proteína.
Códon de iniciação (AUG):codifica Metionina
- Código genético(caract)(universal;Degenerado;nao ambiguo;Sem pontuação;Não sobreponível;Sofre oscilação)
Os 2 primeiros pares formam ligacoes fortes.
A primeira base do anticodon, determina o numero de codons do mRNA reconhecido.
Um aminoacido especificado por ribossomas; e rapido.
A energia necessária provém da hidrólise do ATP.
Consome mais de 90% da energia usada em processos biossintéticos.
Requisitos(Código genético;mRNA;tRNA;Ribossomas;aa activados;Enzimas)
Aminoacido + ATP + tRNA → Aminoacil-tRNA
varios codons, o que diferir em qlq uma das 2 primeiras bases, tera um tRNA diferente.
No minimo 32 tRNA são requeridos para traduzir os 61 codons.
componentes chave:Ribossomas e tRNA
Ribossoma (E. Coli)
- 2 subunidades desiguais.
- Subunidades contém 65% de proteinas e 35% de rRNA.
- As proteínas ribossomais variam muito em peso molecular
- As 2 subunidades unem-se e formam uma fenda por onde o mRNA atravessa.
- tRNA:Tem estrutura similar em todos organismos;São tradutores da linguagem dos ácidos nucleícos para linguagem das proteínas;Resíduos de nucleótideos variam entre 73 e 93;Existe pelo menos um tRNA para cada aminoácido;lguns nucleótideos tem bases modificada;tdos possuem uma sequência CCA(3’)
- Activação dos aminoácidos
Existem 2 classes de enzimas aminoacyl-tRNA sintetases (I e II)
Ocorre no citosol e em 2 passos
No geral existe uma enzima para cada aa
Consome 2 ligações de alta energia por cada aa
Aminoácidos são estereficados aos tRNA correspondentes
As aminoacyl-tRNA sintetases reconhecem pares específicos de nucleótidos do tRNA.
Os de reconhecimento localizam-se predominantemente no braço do aminoácido e no braço do anticodon
- Iniciação
- Ligação da subunidade maior com posterior formação do complexo inicial.
Intervenção de factores de iniciação.
Mecanismo nos procariotas diferente do mecanismo nos eucariotas
Iniciada na extremidade amino
Procariotas usam a N-formil Metionina como aminoácido de iniciação
Codon de iniciação (AUG) é direcionado pela sequencia de Shine-Dalgarno
Sequencia de Shine-Dalgarno
Ribossomas tem 3 sitios de ligação para os aminoacyl-tRNA: A; P; E
Ambas subunidades 30S e 50S contribuem para formação do sitios A e P,
Sitio E é completamente confinado a subunidade 50S,
(5) AUG é posicionada no sitio P.
Passos da Iniciação (3)
Primeiro passo:
30S liga-se aos factores de iniciação IF-1 e IF-3
mRNA liga-se a 30S
Shine – Dalgarno guia o codon de iniciação (AUG) para posição correcta do ribossoma 30S.
Segundo passo:
O complexo 30S, IF-3 e mRNA é unido a fMet-tRNAfMet.
Pareamento correcto entre o anticodon e o codon de iniciação do mRNA.
Terceiro passo:
Combinação do complexo com a subunidade 50S
Formação de um complexo de iniciação funcional 70S
- Iniciação nos eucariotas:
Muitas destas proteínas prendem as extremidades 5’ e 3’ do mRNA ao ribossoma,
Na extremidade 3’ o mRNA é ligado por proteinas (PAB) associadas a cauda Poli A
Na extremidade 5’ é ligado por um complexo de proteinas (eIF4F) associadas a extremidade cap
Associação do 60S e do eIF5 ao complexo com formação do complexo de iniciação.
- Elongação
Há intervenção de proteínas citosólicas- factores de elongação.
Ligação do aminoacil-tRNA recém chegado ao complexo de iniciação.
Formação da ligação peptidica
Translocação
Prova de leitura nos ribossomas para garantir a fidelidade do processo
- Terminação: - O novo polipeptideo é libertado do ribossoma como consequencia da sinalização pelo códon de terminação.Há intervenção de factores de terminação.
Sinalizada pela presença de um dos 3 codons: UAA, UAG ou UGA.
Hidrólise da ligação peptidil-tRNA.
Libertação do polipeptido livre.
Dissociação do ribossoma 70S em 30 e 50S respectivamente.
- Processamento pós-transducional e enrolamento
1:Modificações Amino e Carboxil-terminais(Remoção do formil grupo e do amino-terminal do resíduo de Met.)
2:Perda de sequencias sinalizadoras
3:Modificação individual dos aminoácidos(Fosforilação enzimática de grupos hidroxil de alguns residuos de Ser, Thr, e Tyr pelo ATP; Adicção de grupos carboxil ao residuo Glu de algumas proteinas; Adicção de grupos
metil; Adicção de cadeias laterais de carbohidratos. )
4:Adicção de grupos isoprenil
5:Adicção de grupos prostéticos
6;Processamento proteólitico
7:Formção de ligações dissulfidricas
Antibióticos
ATB são os maiores inibidores da tradução.
Podem inibir quase todos passos da tradução
Estreptomicina
Impede a incorporação do aminoacil-tRNAi ou produz erros de leitura do código genético.
Tetraciclina=Bloqueia o sitio A
- Destinos das proteinas:(Citosol; Núcleo e mitocôndria;Secreção, membranas celulares e lisossomas)
- Regulação da Síntese Proteica
2. Modificação Postranscricional do mRNA
3. Degradação do RNA mensageiro
4. Síntese Proteíca
5. Modificação Postransducional das proteínas
6. Direcionamento das proteínas e transporte
7. Degradação das proteínas
Operão lac:Genes: galactosidase Z, galatosideo permease Y e transacetilase A; repressor é codificado por um gene constituitivo; Lactose é um indutor.
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